Ao investir ou adquirir qualquer tipo de bem, compreender e calcular o valor justo do ativo é fundamental para decisões mais seguras e estratégicas.
De acordo com o CPC 46 e o IFRS 13, o preço justo é definido como o valor que seria recebido pela venda de um ativo ou pago pela transferência de um passivo em transações ordenadas entre participantes do mercado na data de mensuração.
É importante destacar que o valor justo pode divergir do preço de mercado em condições não ideais, quando fatores como liquidez limitada, prêmios de risco ou restrições contratuais influenciam na cotação.
Avaliar corretamente o valor justo é essencial para evitar pagar demais ou vender por um preço inferior ao real valor do ativo, prevenir decisões equivocadas de compra que podem comprometer seu patrimônio.
Essa prática também reduz riscos de investimento ao considerar fatores como liquidez, ciclos econômicos e condições contratuais, além de garantir transparência contábil em demonstrações financeiras e estar em conformidade com obrigações fiscais e regulatórias.
Empresas que seguem normas internacionais obtêm maior credibilidade junto a investidores, facilitando captações, fusões e processos de compliance.
O CPC 46 e o IFRS 13 estabelecem três níveis de dados para estimar o valor justo, cada um com grau distinto de confiabilidade:
Caso haja acesso a um mercado líquido, as mensurações de Nível 1 trazem maior confiabilidade e menor subjetividade na avaliação.
Existem três abordagens fundamentais para calcular o preço justo de um ativo, cada uma adequada a diferentes contextos e tipos de ativos:
No método de mercado, é fundamental selecionar transações comparáveis de qualidade, considerando prêmios de liquidez e condições contratuais.
Na abordagem da receita, utilize taxas de desconto alinhadas ao custo de capital próprio e à taxa livre de risco, seja a SELIC (atualmente em 13,75% ao ano) ou o WACC.
Para a abordagem do custo, defina percentuais adequados de depreciação—por exemplo, 10% ao ano para equipamentos industriais com vida útil de 10 anos—e ajuste fatores de obsolescência tecnológica.
O indicador P/L (Preço/Lucro) mostra quantas vezes o lucro por ação está embutido no preço. Se o IBOVESPA apresentar um P/L médio de 6, um ativo com P/L de 10 pode estar supervalorizado em relação ao mercado.
Já o P/VPA (Preço/Valor Patrimonial) compara preço de mercado com valor patrimonial por ação, permitindo identificar ativos baratos em relação ao patrimônio líquido.
O múltiplo EV/EBITDA relaciona o valor da empresa com sua geração de caixa operacional, sendo útil para comparações entre companhias de diferentes estruturas de capital.
A avaliação de ativos nem sempre é simples. Entre os principais desafios, destacam-se:
Além disso, para ativos precificados em dólares, a oscilação cambial pode alterar significativamente o valor justo quando convertido em reais.
Suponha uma empresa do setor industrial com as seguintes informações:
Lucro por ação (LPA): R$ 3,00
Cotação atual: R$ 36,00
P/L = 12
Caso empresas comparáveis no índice Bovespa apresentem P/L médio de 10, podemos concluir que essa ação está mais cara em relação ao setor.
É recomendável analisar também o P/VPA e o EV/EBITDA para obter um panorama mais completo.
Para ilustrar a abordagem da receita, suponha um projeto com fluxos de caixa anuais de R$ 100 mil nos próximos cinco anos e taxa de desconto de 12% ao ano. O valor presente seria calculado somando os valores descontados, resultando em aproximadamente R$ 354 mil.
A escolha do método ideal depende de:
Normas como o CPC e o IFRS incentivam o uso preferencial de dados observáveis, reduzindo subjetividade e melhorando a comparabilidade entre empresas.
Para obter resultados confiáveis, considere:
avaliações periódicas em ambientes voláteis, com revisão a cada trimestre ou quando houver mudanças significativas em índices econômicos.
profissionais qualificados para ativos complexos, como auditores, engenheiros ou especialistas em avaliação, garantindo precisão nas premissas adotadas.
Calibre técnicas de medição tão próximo quanto possível de transações reais de mercado, usando leilões, vendas diretas e bases de dados comerciais.
Documente todas as fontes de dados, taxas de desconto e parâmetros de depreciação, assegurando transparência nas auditorias e relatórios financeiros.
Referências