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O Impacto dos Juros do Rotativo: Entenda e Evite

O Impacto dos Juros do Rotativo: Entenda e Evite

23/12/2025 - 00:56
Giovanni Medeiros
O Impacto dos Juros do Rotativo: Entenda e Evite

Entrar no crédito rotativo do cartão de crédito pode parecer, à primeira vista, uma solução prática e imediata para emergências financeiras. No entanto, essa modalidade esconde armadilhas graves, capazes de transformar um pequeno atraso em uma bola de neve de dívidas.

Neste artigo, vamos explicar como funciona o rotativo, mostrar exemplos reais de crescimento de juros e apresentar estratégias para que você não caia nessa armadilha financeira de alto custo. Em seguida, abordaremos a recente mudança legislativa e o papel crucial da educação financeira.

O que é o crédito rotativo e como funciona?

O crédito rotativo é acionado automaticamente sempre que o consumidor paga menos do que o total da fatura até a data de vencimento. Em vez de liquidar a dívida, o saldo remanescente entra nesse modelo de financiamento, onde os juros incidem sobre o valor não pago.

Desde 2017, porém, o cliente só pode permanecer no rotativo por até 30 dias. Após esse prazo, a instituição financeira é obrigada a oferecer modalidades de parcelamento, geralmente com taxas inferiores às do rotativo puro.

Apesar dessa limitação, muitos consumidores ainda se surpreendem com o acúmulo de encargos quando não se atentam ao calendário de pagamentos ou ao orçamento mensal.

Como os juros podem crescer exponencialmente

No Brasil, a taxa média do rotativo varia entre 430% e 450% ao ano, podendo alcançar 1.000% a.a. em casos extremos, a depender do perfil do cliente e da política do banco.

Como se vê na tabela, deixar R$1.570 no rotativo por um ano pode resultar em uma dívida de R$8.657,64. Se você optar pelo parcelamento oferecido após 30 dias, esse valor cai para R$4.406,17, gerando uma economia de mais de quatro mil reais.

O novo teto de juros e seus desdobramentos

Com a Lei nº 14.690/2023, o chamado Desenrola Brasil, foi instituído o limite máximo de 100% do valor da dívida, incluindo juros e encargos. É assegurado que, se você dever R$100, nunca pagará mais do que R$200.

Esse teto se aplica não apenas ao rotativo, mas também ao parcelamento de faturas. A partir de 2025, o Conselho Monetário Nacional (CMN) revisará o valor anualmente, ajustando-o ao cenário econômico.

Para os grandes bancos, o impacto nas receitas pode ser expressivo. Estimativas apontam uma redução de centenas de milhões de reais nos lucros de instituições como Itaú. Já para o consumidor, a medida reduz o risco de endividamento crônico e mitiga o efeito “bola de neve”.

Impactos nas finanças pessoais e na sociedade

Os juros do rotativo são frequentemente chamados de “a linha de crédito mais cara” do Sistema Financeiro Nacional. Para muitos, o resultado é um impacto devastador nas finanças pessoais e a impossibilidade de retomar o controle do orçamento.

Dados recentes indicam que mais de 60% dos consumidores que entram no rotativo não conseguem pagar a totalidade da fatura no mês seguinte, alimentando um ciclo de inadimplência e estresse.

Além disso, esse cenário contribui para o superendividamento da população, pressão sobre programas de proteção ao crédito e restrições ao acesso a novas linhas de financiamento.

Estratégias para evitar cair no rotativo

  • Pague sempre o valor total da fatura até a data de vencimento.
  • Monitore seus gastos mensais e defina um orçamento realista para cartões.
  • Se entrar no rotativo, renegocie imediatamente o parcelamento.
  • Avalie opções de crédito mais baratas, como empréstimos pessoais ou consignados.
  • Utilize ferramentas de controle financeiro, aplicativos ou planilhas.

O papel da educação financeira

Mais do que limites legais, a melhor defesa contra o rotativo é o consumo consciente e planejamento financeiro. Entender custos, prazos e taxas evita surpresas e reforça hábitos saudáveis de uso do crédito.

Projetos de educação financeira, oficinas comunitárias e dicas de especialistas ajudam a incorporar práticas como reserva de emergência, análise de juros compostos e metas de poupança.

Ao adotar uma postura proativa, o consumidor deixa de ser refém de um sistema desenhado para gerar endividamento e passa a construir segurança e autonomia.

Reflexões finais

O crédito rotativo pode surgir como um alívio imediato, mas cobra um preço alto demais no longo prazo. Com a nova legislação e o acesso a informações, temos todas as ferramentas para driblar essa armadilha.

Planejamento, disciplina e educação financeira são os pilares para uma vida econômica saudável. Evitar o rotativo é, acima de tudo, um passo decisivo rumo à liberdade e à tranquilidade.

Giovanni Medeiros

Sobre o Autor: Giovanni Medeiros

Giovanni Medeiros